Fé, serviço e compromisso com o povo: conheça os dois candidatos ligados à Assembleia de Deus no Rio Grande do Sul

Elizandro Sabino disputa a reeleição para deputado estadual, enquanto Ronaldo Nogueira concorre à Câmara Federal; ambos reúnem experiência política, atuação cristã e trabalho em áreas sociais

As eleições de 2026 terão dois nomes ligados à Igreja Evangélica Assembleia de Deus na disputa por cadeiras legislativas no Rio Grande do Sul. Elizandro Sabino busca a reeleição para deputado estadual, enquanto Ronaldo Nogueira concorre a deputado federal. Filiados ao Republicanos, ambos apresentam trajetórias construídas entre a fé cristã, o serviço comunitário, a administração pública e a atuação parlamentar.

Embora compartilhem princípios relacionados à valorização da família, à proteção da vida e ao compromisso social, os dois candidatos chegaram à política por caminhos diferentes. Sabino iniciou sua caminhada pública na defesa de crianças e adolescentes; Nogueira começou no Legislativo municipal de Carazinho e chegou ao comando do Ministério do Trabalho. Conheça as trajetórias dos dois candidatos.

Elizandro Sabino: da defesa da infância à Assembleia Legislativa

Elizandro Silva de Freitas Sabino nasceu em 14 de setembro de 1977, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, mas estabeleceu no Rio Grande do Sul sua trajetória profissional, religiosa e política. Advogado, líder evangélico e deputado estadual, construiu uma atuação pública voltada principalmente à proteção das crianças e dos adolescentes, à valorização da família, à saúde mental e ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Na área acadêmica, Sabino é bacharel em Direito, mestre em Direito Público pela Universidade de Santa Cruz do Sul e pós-graduado em Registros Públicos e Atividades Notariais e Registrais pela mesma instituição. Também desenvolveu uma carreira de mais de duas décadas na advocacia, especialmente nas áreas criminal e de defesa dos direitos fundamentais. Integrante da Assembleia de Deus, dedica-se há mais de 30 anos às atividades de evangelização.

O contato direto com as necessidades das famílias ganhou força quando exerceu dois mandatos como conselheiro tutelar em Porto Alegre. Sabino também atuou na coordenação-geral e na corregedoria dos Conselhos Tutelares da capital. Essa experiência transformou a proteção da infância em uma das principais bandeiras de sua vida pública e abriu caminho para outras funções na administração municipal.

Em 2012, foi eleito vereador de Porto Alegre e conquistou a reeleição em 2016. Durante sua passagem pela Câmara Municipal, participou de comissões relacionadas à urbanização, ao transporte, à habitação, aos direitos humanos e à defesa do consumidor. Em 2017, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, permanecendo na função até abril de 2018.

A chegada à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul ocorreu nas eleições de 2018, quando Sabino foi eleito deputado estadual com 36.033 votos. Em 2022, recebeu 31.937 votos e conquistou seu segundo mandato. No Parlamento gaúcho, presidiu a Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle e exerceu o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora.

Sabino também passou a liderar frentes parlamentares relacionadas à defesa da infância e da adolescência, às Santas Casas e aos hospitais filantrópicos, ao sistema penitenciário, à justiça notarial e registral e às políticas de saúde, educação, segurança e produção no campo. Sua atuação procura reunir experiência jurídica, conhecimento da administração pública e proximidade com entidades sociais e religiosas.

Entre as iniciativas associadas ao seu mandato estão a criação da campanha Janeiro Branco no Rio Grande do Sul, o Dia do Amor Próprio e a Semana de Prevenção e Combate à Automutilação. Também trabalhou em medidas relacionadas à vacinação escolar, à capelania, à assistência religiosa e à proteção de crianças e adolescentes que atuam como influenciadores digitais.

Em março de 2026, Elizandro Sabino filiou-se ao Republicanos. Sua candidatura à reeleição foi homologada durante a convenção estadual do partido e registrada para as eleições de 2026. Sabino concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa com o número 10777.

Ronaldo Nogueira: de vereador em Carazinho a ministro do Trabalho

Ronaldo Nogueira de Oliveira nasceu em 25 de abril de 1966, em Carazinho, no norte do Rio Grande do Sul. Administrador de empresas, pastor da Assembleia de Deus, escritor e político, construiu uma extensa trajetória nos poderes Legislativo e Executivo, com atuação nas áreas de trabalho, geração de emprego, qualificação profissional, empreendedorismo, administração pública e saneamento básico.

Formado em Administração de Empresas pela Universidade Luterana do Brasil, em Porto Alegre, Ronaldo Nogueira é autor do livro O Trabalhismo para o Brasil do Século XXI. Sua carreira política começou em Carazinho, onde foi eleito vereador por quatro legislaturas consecutivas. A experiência municipal serviu como base para sua chegada à Câmara dos Deputados.

Nas eleições de 2010, disputou pela primeira vez uma vaga de deputado federal, ficou na suplência e posteriormente assumiu o mandato. Quatro anos depois, conquistou um novo mandato na Câmara. No Congresso Nacional, participou de debates relacionados às relações de trabalho, ao serviço público e ao desenvolvimento econômico, chegando a presidir a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público.

Em maio de 2016, Ronaldo Nogueira foi nomeado ministro do Trabalho pelo então presidente Michel Temer, permanecendo no cargo até dezembro de 2017. Durante sua gestão, participou da implementação de mudanças na legislação trabalhista e de medidas relacionadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.

Nesse período, o governo federal autorizou o saque das contas inativas do FGTS, implantou a distribuição de parte dos lucros do fundo aos trabalhadores cotistas e avançou no desenvolvimento da Carteira de Trabalho Digital. As medidas fizeram parte de um processo de modernização dos serviços e das relações trabalhistas conduzido durante sua passagem pelo ministério.

Após deixar o cargo, Ronaldo Nogueira voltou a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2018. Ficou novamente na suplência e assumiu o mandato posteriormente. Sua experiência nas áreas trabalhista e administrativa ampliou sua participação em discussões sobre geração de empregos, qualificação profissional e funcionamento do serviço público.

Entre 2019 e 2020, presidiu a Fundação Nacional de Saúde, a Funasa. Durante sua gestão, foi lançado o Programa Saneamento Brasil Rural, voltado à ampliação do acesso ao abastecimento de água, ao esgotamento sanitário e às melhorias sanitárias em áreas rurais, comunidades tradicionais e territórios de povos originários. A instituição também avançou na retomada de obras paralisadas e na conclusão de empreendimentos de saneamento.

No Rio Grande do Sul, Ronaldo Nogueira presidiu a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social e, entre 2021 e 2022, atuou como secretário estadual do Trabalho, Emprego e Renda. Nesse período, participou da construção de programas de qualificação profissional, empregabilidade, acesso ao crédito, incentivo ao empreendedorismo e apoio à gestão de micro e pequenas empresas.

Em 2022, já filiado ao Republicanos, voltou a disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Recebeu 37.932 votos e ficou na suplência. Em novembro de 2023, assumiu a vaga de Carlos Gomes, que foi nomeado secretário estadual de Habitação e Regularização Fundiária do Rio Grande do Sul. Ronaldo Nogueira permaneceu no exercício do mandato até fevereiro de 2026.

Nas eleições de 2026, Ronaldo Nogueira concorre novamente a deputado federal pelo Rio Grande do Sul. Registrado pelo Republicanos, disputa uma das cadeiras destinadas ao estado na Câmara dos Deputados com o número 1014.

Duas trajetórias e a presença cristã na política

Elizandro Sabino e Ronaldo Nogueira representam trajetórias diferentes, mas ligadas por valores em comum. Sabino consolidou sua vida pública a partir da advocacia, do Conselho Tutelar e da defesa da infância. Nogueira percorreu um caminho iniciado no Legislativo municipal, passando pelo Congresso Nacional, pelo Ministério do Trabalho e por importantes órgãos dos governos federal e estadual.

A presença dos dois na eleição amplia a participação de lideranças vinculadas à Assembleia de Deus no debate político gaúcho. Isso não significa que todos os integrantes da igreja pensem da mesma maneira ou estejam obrigados a apoiar determinadas candidaturas. O voto é uma decisão individual, livre e consciente, que deve ser exercida após a análise da história, das propostas, da conduta e do compromisso público de cada candidato.

Artigo de opinião — Fé que serve, voz que transforma

A igreja não pode ser limitada às paredes do templo, porque sua missão também acontece onde o povo sofre, luta e precisa ser ouvido. Presente nas comunidades, nos hospitais, nas ações sociais e no acolhimento às famílias, ela tem o legítimo direito de participar do debate público e contribuir para uma sociedade mais justa. Elizandro Sabino e Ronaldo Nogueira, como candidatos ligados à Assembleia de Deus, têm o direito de apresentar suas trajetórias e propostas sem preconceito religioso, cabendo ao eleitor avaliá-los com liberdade, consciência e responsabilidade.

A presença cristã na política deve ir além de discursos e símbolos: precisa produzir justiça, misericórdia, honestidade e serviço ao próximo. A igreja tem voz, o povo tem poder de escolha e os candidatos devem provar, por sua história e seus atos, que estão preparados para representar valores que defendam a vida, a família e o bem comum. Quando a fé entra na vida pública com humildade e compromisso verdadeiro, ela não busca privilégios — torna-se instrumento de esperança, transformação e cuidado com toda a sociedade.

JORNALISTA LAIRTON FONSECA MTB 19799